White Garden (2010)
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For this exhibition I developed a series of installations based on modular systems and wall assemblages.
In the installations I incorporated the clinical and the architectural in a modernist structure which projects familiar atmospheres in a dysfunctional way: trunking1 becomes a support unit for growth, the advertizing coloured lights of a petrol station shade the environment of an arbor and umbrellas sketch shapes which suggest the molecular, atomical and even sci-fi objects.
On the wall assemblages the screen is the focal object and even though it is still used as a medium to deliver images that is done using the most primitive resources. These images are iconic and clear references to the disruption of a system as it is expected by the western Society: the catastrophe. Virilio’s take on the television as a synchronizer of emotions is extended to the computer and in both of these old fashioned icons on the 20th century we face an ironical clash of a system… as if Gödel asked if the group of all groups which do not contain themselves contains itself or not… the paradox implies the breakdown of everything from its intelligible foundations.
This catastrophe is expected not as consequence of an external event but mostly as the breakthrough and the conclusion of all discussions on post–modernism. The mere survival of a system which still supports human life becomes the centre of all worries and as a consequence the ethics and aesthetics merge in the uprising of a pragmatic rationalism. Pragmatic meaning that this rationalism is not concerned with concepts, ideas or beliefs but only with economics in its original sense: the science of managing scarce resources.
1 The term trunking is used in the United Kingdom for electrical wireways, usually made from PVC (for mounting on walls) or metal (for embedding into walls).
In modern communications, trunking is a concept by which a communications system can provide network access to many clients by sharing a set of lines or frequencies instead of providing them individually. This is analogous to the structure of a tree with one trunk and many branches. More recently port trunking has been applied in computer networking as well.
From Wikipedia about the network-design strategies and the UK term Trunking for electrical wireways or Electrical Conduit.
Portuguese:
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Para esta exposição, desenvolvi uma série de instalações baseadas em sistemas modulares e assemblagens de parede.
Nas instalações incorporei o clínico e o arquitectónico numa estrutura modernista que projecta um ambiente familar de uma forma disfuncional: a calha técnica ou “trunking”1 torna-se uma unidade de suporte para o crescimento, as luzes coloridas que anunciam um posto de abastecimento de gasolina transformam-se num caramanchão que oferece um ambiente de luz vermelha e os guarda-chuvas esboçam formas que sugerem o molecular, o atómico e até objectos do mundo da ficção científica.
Nas assemblagens de parede o ecrã é o objecto central, sendo ainda um simbolo de tecnologia, a sua função aqui é distorcida servindo de suporte à divulgação de meios mais primitivos como a pintura ou o desenho. Estas imagens são íconicas e referências claras à ruptura de um sistema como é esperado pela sociedade ocidental: a catástrofe. A perspectiva de Virilio sobre a televisão como um sincronizador de emoções é estendida ao computador e nestes antigos ícones do século XX enfrentamos um colapso irônico do sistema … como se Gödel tivesse perguntado se o grupo de todos os grupos que não se contêm a si mesmos se contem a si próprio ou não… o paradoxo implica o desmantelar das fundações do inteligível.
Esta catástrofe é esperada não como consequência de um evento externo mas principalmente como uma revelação e o fim de de todas as discussões sobre o pós-modernismo. A mera sobrevivência de um sistema que ainda sustenta a vida humana torna-se o centro de todas as preocupações consequentemente a ética e a estética fundem-se no aparecimento de um racionalismo pragmático. Pragmático neste contexto significa que este racionalismo não se aplica a conceitos, idéias ou crenças, mas apenas à economia no sentido original do termo: a ciência da gestão de recursos escassos.
1 O termo “trunking” é usado no Reino Unido para condutas elétricas ou calhas técnicas, normalmente feitas de PVC (para montagem nas paredes) ou de metal (para embutir nas paredes).
Nas comunicações modernas, o “trunking” é um conceito pelo qual um sistema de comunicação pode fornecer acesso à rede a vários clientes através da partilha de um conjunto de linhas ou de frequências em vez de fornecer-los individualmente. Isso é análogo à estrutura de uma árvore com um tronco (“trunk”) e muitos ramos. Mais recentemente “port trunking” foi aplicado também a redes de computadores.
Fonte: Wikipédia entradas sobre estratégias de “network design” e sobre o termo “Trunking” do Reino Unido para condutas elétricas.
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Pós- (2009)
Nesta exposição de assemblagem e fotografia é explorado o momento imediatamente após o acidente enquanto “milagre invertido”; uma paragem ilusória do tempo que permite uma perspectiva diferente sobre esse mesmo tempo. É um momento de intensidade extrema que se revela como uma estranha calma inquieta e desconfortável. O espaço e o tempo ficam alterados depois do choque. Há no meio da adrenalina e do stress uma perplexidade, “o que é que aconteceu? Onde estou?” e a expectativa antecipada do próximo acidente.
É aqui assumido o desafio de começar um “museu de acidentes” cuja colecção é criada com alguns desastres menores de automóveis. De uma forma geral o carro representa o século XX, a produção em série, o objecto central de desejo, fetiche e afirmação social como ainda se verifica actualmente. Portanto o título desta exposição refere-se também a um século que não pára de se anunciar a si próprio (o século XXI) e ao qual falta a afirmação suficiente para que não viva na sombra do anterior.
Está implícito ao que foi dito anteriormente, uma necessidade de mudança de paradigma cultural, social e artístico. A sucessão infinita de acidentes assume-se como impulsionadora insuficiente da mudança e assim surge a expectativa pós-moderna da catástrofe. O grande responsável por esta perspectiva partilhada é o sincronizador global de emoções, a televisão, que poderá entrar em mira técnica após a tão esperada tragédia. Sincronizará finalmente a população para a calma do vazio de conteúdo e de desejo.
Tal como o século em que vivemos, apesar de muito anunciado, este cataclismo parece tardar em acontecer. Algumas imagens da Índia, recolhidas ao longo de três meses, funcionam como um retrato do mundo que tem a expectativa antecipada do próximo acidente mas que sente a catástrofe como algo que está constantemente presente.
Há portanto a vontade de juntar nesta exposição algumas letargias de uma sociedade ocidental com a esperança Indiana num modernismo extemporâneo. Estas evidências paradoxais inerentes a todos os sistemas são materializadas nestes trabalhos que pretendem explorar conflitos entre conceito e forma, o objecto e o pictórico, a depressão vivida na megalopolis ocidental e a ansiedade de um riquexó que transporta peças de automvel para que outros usufruam dessa comodidade.
Não pretendendo ser etnográfico, este conjunto de trabalhos pretende usar estas tensões globais para explorar problemas intrínsecos à produção artística encerrando em cada imagem e composição a vivência de um flâneur e o paradoxo de uma civilização.
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[...] De que outra forma poderemos escrever se não das coisas que não conhecemos ou conhecemos mal? É precisamente aí que nós imaginamos ter algo a dizer. Escrevemos nas fronteiras do nosso conhecimento, no limite que o separa da nossa ignorância e transforma um no outro [...]
Deleuze, Diferença e Repetição
O retorno implica ensaiar uma repetição de contingências com resultados diferentes. É um eterno encadeado em que cada momento se reprocessa indefinidamente. As novas funções são então aplicadas a objectos passados gerando imagens aparentemente desfasadas da sua envolvência mas que refrescam uma experiência que caso contrário se poderia tornar demasiado pesada.
É através do regresso que se apuram os progressos, ou se preferirmos a versão budista, transformamos os venenos em remédios. Tendo como palavra de ordem a transmutação de propriedades entre vários meios, resolvi explorar a fotografia como um pintor e pintar usando nomenclaturas das áreas científicas que fizeram parte do meu percurso. Há então a intenção de trabalhar e desconstruir as fronteiras entre estas áreas e nesse sentido continuo a escrever como quem desenha.
No trabalho de escultura e instalação desenvolvido em Inglaterra sempre usei objectos sem qualquer valor que tentava devolver à vida. Essa intenção continua presente no meu trabalho fotográfico onde regenerei poluição visual do quotidiano citadino para produzir uma série de imagens que exploram o lado sedutor da forma, da expressão e da cor. Dado que é expressamente proibido tirar fotografias no metro de Londres podemos dizer que são imagens ilegais que pretendem desmontar o que há de mais perverso na publicidade e evidenciar as propriedades que tem em comum com a pintura, o desenho e a colagem.
Nas pinturas sobre tela e sobre papel há sempre uma vontade de abrir espaços, arquitectar memórias e planear mecanismos, evidenciar estruturas vivas e redes de ligações. Nestes mapas de ideias o processo de pintar está incluído na estrutura molecular em que o objectivo é ligar A a B. Usei a intimidade que sinto com estas linguagens mais rígidas e frias para expressar emoções e construir associações desconstruindo experiências. Esta intimidade a que me refiro não é a do trabalho de dimensões reduzidas que nos obriga a aproximar mas de uma exigência da nossa curiosidade que nos motiva a completar uma ligação e a descobrir os pormenores de uma estrutura.
Na negação das propriedades constritoras da ciência encontrei um espólio de imagens, formas de interligar ideias e construir redes que não têm exterior.
